A chanceler alemã, Angela Merkel, disse nesta terça-feira que a Europa está fazendo tudo que está em seu poder para evitar uma moratória grega, e alertou que uma eventual saída da Grécia da zona do euro teria um efeito dominó que deve ser evitado a todo custo.
Ontem o governo da Grécia confirmou que está de fato ameaçado de falência. E, caso não receba ajuda externa, o fim da linha está próximo: outubro. O anúncio foi feito por ninguém menos que o vice-ministro de Finanças do país, Filippos Sachinidis, em entrevista à grega TV Mega.
As declarações visam a pressionar o Parlamento do país e a opinião pública a aceitarem os novos ajustes, no valor de 2 bilhões de euros, exigidos pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
Sachinidis assegurou que o Estado grego ainda estaria preparado para enfrentar o próximo mês, mas não garantiu além disso. "Nós temos margem de manobra até outubro. Tentaremos fazer com que o Estado possa continuar a funcionar sem problemas", declarou.
A entrevista também visava aos parceiros europeus, que ainda seguram uma nova parcela de 8 bilhões de euros relativa ao empréstimo de 110 bilhões de euros concedido em maio de 2010.
No fim de semana, o governo grego anunciou a adoção de novos impostos para cobrir a queda de 2 bilhões de euros nas receitas do país, disseram duas autoridades seniores do FMI com conhecimento do assunto.
Representantes da troica, o grupo formado por União Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e FMI, retornam ao país nesta semana para avaliar as contas públicas e analisar se Atenas está fazendo todos os esforços necessários para fazer recuar seu déficit público e seu nível de endividamento.
Na semana passada, os representantes da troica interromperam as negociações, em Atenas, e deixaram o país em meio a discordâncias.
Ontem, o comissário europeu de Finanças, Olli Rehn, elogiou a iniciativa do primeiro-ministro grego, George Papandreou, que no fim de semana elevou a carga tributária para enfrentar a falta de liquidez.
Ainda no fim de semana, o ministro da Economia da Alemanha, Philipp Rösler, afirmou que a falência grega não é mais um tabu na Europa. Ontem, ele voltou a público, em entrevista ao jornal Die Welt, com um discurso mais complacente. "A Alemanha quer que a Grécia continue membro da zona do euro", afirmou Rösler. No entanto, o ministro ponderou que a ajuda ao país não é automática, e depende do programa de reestruturação em curso em Atenas.
Reuters
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